Os Conjurados XXI |
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Fez no passado dia 2 de Março, sete anos desde a tomada de posse do novo Conselho de Veteranos chefiado por mim. Este novo Conselho de Veteranos é o resultado da demanda dos Conjurados XXI, um grupo que em 2019 teve a audácia de desafiar o status quo que vigorava há 19 anos pelas mãos do então Dux Veteranorum João Luís Jesus. Esta crónica pretende então enaltecer e relembrar a audácia deste grupo que conseguiu alcançar o que ninguém anteriormente tinha ousado.
A fundação do grupo deu-se ainda em Novembro de 2018. Numa Assembleia Magna, algumas intervenções colocavam em dúvida o trabalho e até, a própria existência do Conselho de Veteranos na Academia, tendo incitado uma revisão Estatutária cujo um dos objectivos (dissimulados pela retórica) era a total retirada do Conselho de Veteranos. Presentes nesta Magna estava eu, na altura membro da Comissão Permanente do próprio Conselho, e o Vitor Sanfins, membro do então Forum Apparitor. A retórica era manifestamente contra o Conselho de Veteranos, e, não possuindo nós o conhecimento da causa ou das conversas de bastidores que levaram a esta situação, tivemos que ouvir enquanto a nossa instituição era usada como bote expiatório para alguns dos problemas da casa. A proposta de Revisão Estatutária passou, com meramente dois votos contra: Meu e do Sanfins.
Cá fora eu e ele trocamos algumas frustrações e chegamos à conclusão que o foco da questão não era a instituição do Conselho de Veteranos ou os seus valores, (aliás, nunca a Praxe foi mencionada na oratória anterior) mas sim a figura do Dux Veteranorum que permanecia na mesma pessoa há 19 anos e que reunia muito pouco consenso ou aprovação pública. Sendo nós ainda portadores da audácia juvenil, decidimos avançar com uma missão para salvar o Conselho de Veteranos. Formava-se assim os Conjurados XXI, com eu na chefia e o Vitor Sanfins como Primeiro Veterano. Eramos Conjurados, pois estando no mês da Tomada da Bastilha naturalmente que me senti inclinado para imitar o feito desse tal grupo que roubou a sede aos Lentes e que por sua vez foram inspirados no grupo Restaurador da Independência em 1640. XXI (vinte um) para precisamente distinguir o grupo dos seus congéneres históricos.
Nos seguintes meses planeou-se a investida, com imensas conversas e episódios de bastidores que ainda não podem ser públicos. O grupo cresceu até ao ponto de nos acharmos capazes de vencer o Adamastor praxístico. O anterior Dux tinha uma vantagem: Para a sua destituição era necessário que houvesse um quórum de Veteranos superior ao que ele foi eleito, que se situava em 111. Sucede-se que ele foi eleito no ano de 2000 em tempos Pré-Bolonha. Nesta altura a condição de Veterano era muito mais comum e frequente, em contraste com o Veterano Pós-Bolonha que se apresenta bastante mais raro (até porque as propinas na altura eram ainda contadas em escudos). A missão era tremenda, e eu até comentava com os meus restantes Conjurados: “agarrem numa pá e vão ao cemitério da Conchada desenterrar Veteranos…!”
No dia 13 de Fevereiro reuniu-se então o Magno Conselho de Veteranos para destituição do Dux Veteranorum. O primeiro da espécie, do qual temos registo. Reuniram-se mais de 130 Veteranos o que permitia um quórum válido para efectivar a destituição.
Sentei-me à frente com a vanguarda principal dos Conjurados: O Vitor Sanfins, Primeiro-Veterano de Eng. Mecânica, o Dr. Miguel Martins de Eng. Química, o Dr. Luis Coimbra de Eng. Civil, o Doutor Emanuel Nogueira de Filosofia e o Doutor José Miguel Rebolho de Economia e por fim eu, de Eng. Electrotécnica. Outros tantos Conjurados estavam espalhados pela plateia, mas cabia a estes as primeiras intervenções e o controlo da narrativa. Quem reconhecer algum destes nomes pode certamente imaginar que naquela altura, não havia quem nos fizesse frente…!
Ganhamos (os detalhes da discussão ficam para outra crónica) e eu acabei eleito como o primeiro Dux Veteranorum estudante de Doutoramento eleito pelo mérito Académico (quero em crer) e não pelo número de matrículas!
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