“A previsibilidade do caos: Trump...” |
A agenda internacional continua a ser marcada, de forma quase automática, por Donald Trump. Não por apresentar soluções estruturadas para os problemas globais, mas porque domina uma estratégia antiga e eficaz: a da imprevisibilidade permanente. O choque mediático, a ameaça difusa, a declaração extrema, tudo serve para deslocar o centro do debate mundial para a sua figura. O caos, paradoxalmente, tornou-se previsível.
Esta lógica não é original. Remete para a chamada “teoria do louco”, associada à política externa de Richard Nixon durante a Guerra do Vietname. A ideia era simples: convencer os adversários de que o Presidente dos Estados Unidos seria capaz de decisões irracionais e extremas, levando-os a ceder por receio do imprevisível. Tratava-se de uma forma de intimidação psicológica, apresentada como racionalidade estratégica.
Trump recupera esse método, mas fá-lo num mundo profundamente diferente, mais frágil do ponto de vista institucional, mais interdependente e incomparavelmente mais mediático. Hoje, uma ameaça verbal pode produzir efeitos económicos imediatos, provocar instabilidade diplomática ou alimentar conflitos regionais. O problema agrava-se quando a imprevisibilidade deixa de ser exceção e passa a constituir um método........