“Uma nova etapa em Belém”

A eleição de António José Seguro para Presidente da República inaugura uma nova etapa na vida política nacional. A vitória eleitoral é, por definição, legítima. A margem expressiva com que foi alcançada confere-lhe, porém, uma autoridade política reforçada e gera expectativas claras quanto à forma como será exercido o mandato.
Convém recordar, desde logo, o essencial: a Presidência da República não é um órgão de governação executiva. O nosso modelo constitucional desenha-a como magistratura de equilíbrio, de garantia e de representação. O Presidente é o garante do regular funcionamento das instituições democráticas, o árbitro em momentos de tensão e o rosto do Estado no plano internacional. É uma função que exige prudência, firmeza e, sobretudo, leitura do tempo histórico.
E o tempo que atravessamos é tudo menos simples.
No plano internacional, acumulam-se focos de instabilidade. A guerra na Ucrânia continua a produzir efeitos económicos e estratégicos profundos para a Europa. O Médio Oriente permanece num ciclo de tensão que impacta o equilíbrio global. A rivalidade entre grandes potências redefine alianças, cadeias de dependência e prioridades estratégicas. Ao mesmo tempo, a União Europeia enfrenta desafios decisivos: reforçar a coesão........

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