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“Estádio 1.º de Maio: quando a...”

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Há cidades que guardam a sua história em arquivos, e outras que a inscrevem na própria paisagem. Braga pertence claramente à segunda categoria. Aqui, a memória não vive apenas nos livros: manifesta-se nos edifícios, nas praças, nos monumentos que atravessam regimes, gerações e significados. Entre esses lugares, poucos são tão reveladores como o Estádio 1.º de Maio — um espaço onde a pedra não é apenas matéria, mas narrativa. Inaugurado em 1950, o estádio nasceu com outro nome: Estádio 28 de Maio, numa homenagem direta ao golpe militar de 1926 que abriu caminho à ditadura de Salazar. Nada foi deixado ao acaso. A monumentalidade da entrada, os relevos que exaltavam disciplina e força, a tribuna presidencial destacada — tudo contribuía para transformar um recinto desportivo num palco ideológico. O Estado Novo compreendia bem o poder simbólico da arquitetura, e Braga tornou-se um dos cenários dessa encenação. Mas a história tem uma capacidade persistente de subverter intenções. O que foi erguido para celebrar um regime autoritário viria, décadas mais tarde, a converter-se num símbolo de liberdade. Com a Revolução de 25 de Abril, o país recuperou o 1.º de Maio como Dia do Trabalhador, e Braga fez o gesto........

© Correio do Minho