“O Minho já mudou. As...”
Portugal tem oscilado, ao longo da sua história democrática, entre o discurso da descentralização e a prática de um centralismo profundamente enraizado. A governação multinível começou a consolidar-se a partir do final da década de 1980, com os sucessivos Quadros Comunitários de Apoio, que exigiram novas formas de cooperação entre a Administração Central, os municípios e, mais tarde, as Comunidades Intermunicipais (CIM) e as Áreas Metropolitanas. Nos últimos anos, uma ideia ganhou particular relevância no debate europeu. Os cidadãos não se afastam do projeto europeu apenas por receberem menos investimento. Mas, sobretudo, quando deixam de acreditar que esse investimento melhora efetivamente as suas vidas. Esta é a principal conclusão da teoria da “geografia do descontentamento”, desenvolvida por Andrés Rodríguez-Pose. O euroceticismo, os populismos e os radicalismos tendem a crescer em territórios marcados pela estagnação económica, pela perda de população, pela falta de oportunidades para os jovens e pela perceção de abandono político. O problema não é apenas o rendimento; é a ausência de expectativas e de confiança no futuro. Portugal conhece bem esta realidade. Ao longo de quase quatro décadas de integração europeia, a Política de Coesão financiou infraestruturas, escolas, centros tecnológicos, equipamentos culturais e parques empresariais que transformaram profundamente o território. Porém, a experiência demonstra que os fundos europeus, por si só, não garantem desenvolvimento sustentável nem reforçam automaticamente a confiança dos cidadãos nas instituições.........
