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““A guerra acordou de novo o...”

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08.04.2026

O momento que vivemos revela um padrão de desenvolvimento profundamente assimétrico. Coexistem o avanço tecnológico, simbolizado pela missão Artemis II, e a persistência de fragilidades políticas, económicas e sociais. Enquanto a humanidade, volta a aproximar-se da Lua, num feito liderado pela NASA, persistem dificuldades elementares na gestão dos problemas mais imediatos das sociedades contemporâneas. Uma circunstância, simultaneamente, irónica e inquietante. Num mundo capaz de feitos extraordinários, continuamos hesitantes, perante os nossos próprios desafios estruturais. Avançamos no espaço, mas permanecemos presos a bloqueios políticos, fragilidades económicas e novos riscos sociais na Terra. Este contraste, constitui um retrato elucidativo das tensões que marcam a nossa contemporaneidade. Podendo ser interpretadas à luz de conceitos centrais da teoria social, como a “modernidade reflexiva” de Ulrich Beck (1986), associada à "sociedade de risco". O efeito de perspetiva de Frank White (1987), mudança cognitiva e emocional, e a “compressão espaço-tempo” de David Harvey (1989). Decorrentes da aceleração dos ritmos de vida, produção e mobilidade. A imagem da Terra vista do espaço continua a ser uma das mais poderosas construções simbólicas da modernidade. “Linda, azul, azul, azul, sem sombra de guerras, fome ou crises”, como tem sido descrita nos mais diversos órgãos de comunicação social. Uma frase que seduz. Mas que simplifica toda a complexidade e os propósitos, que estão para além da tecnologia e da ciência. A distância........

© Correio do Minho