“A dinâmica da guerra da Ucrânia...”

Ao quarto ano de guerra, a Ucrânia deixou de ser apenas um campo de batalha. Tornou-se o epicentro de uma disputa sobre o futuro da ordem internacional, da coesão europeia e da própria credibilidade do sistema transatlântico. A dinâmica belicista revela uma ideia comum. A guerra já não se decide apenas nas trincheiras do Donbass, mas nos parlamentos ocidentais, nas urnas norte-americanas, e na capacidade europeia de assumir responsabilidades estratégicas. Um verdadeiro teste à resistência militar de um Estado, à coerência política das democracias ocidentais e à própria estabilidade da ordem internacional construída após o fim da Guerra Fria. Uma realidade desconfortável, porque ninguém está verdadeiramente a ganhar, com a sua dinâmica. Todos enfrentam custos crescentes, e o tempo tornou-se o principal campo de batalha. No plano militar, a guerra entrou numa fase claramente sistémica. As expectativas iniciais de campanhas rápidas, deram lugar a uma lógica industrial de desgaste e de um “conflito de atrito”. Onde a logística, a produção de munições, a inovação tecnológica e capacidade de adaptação, contam mais do que conquistas territoriais imediatas. A incursão ucraniana em território russo simboliza essa transformação estratégica. Não se trata de ocupar cidades ou redesenhar fronteiras a curto prazo, mas de obrigar Moscovo a dispersar forças, proteger infraestruturas e aceitar que a guerra já não pode ser confinada à narrativa de “operação externa”. Simultaneamente, a Rússia mantém vantagens estruturais e difíceis de ignorar. Maior reserva humana mobilizável........

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