“Fortes, fracos, valentes e cobardes”

Falando de amor, Caeiro diz que, se não vir a sua amada, pode sempre imaginá-la e, ao fazê-lo, é forte como as árvores altas. Se porventura a vê, treme, e perde força, até que esta o abandona. Percebemos que o poeta se refere a uma força seminal, tanto psicológica quanto física. E é esse, efetivamente, o sema de "forte" e "força" existente já no "fortis" latino e que Deus origem a um conjunto extraordinário de palavras do nosso léxico, ora em forma nominal, ora adjetival. O tempo, porém, é o mestre da derivação semântica, nem sempre facilmente explicável, nem sempre tangível. Mas factos históricos ajudam à compreensão. Porque chamamos "forte" a um lugar que se pretende inexpugnável, se não pensarmos em rudeza e resistência, características do contexto militar? E porque houve a necessidade da "fortificação", se não, talvez, para distinguir nome e adjetivo, substância e qualidade,........

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