“A Autonomia Estratégica Naval...”

A construção naval europeia encontra-se num momento de definição existencial. Num mundo onde o comércio e a segurança dependem quase inteira- mente das rotas marítimas, a União Europeia despertou para uma realidade desconfortável: a sua capacidade de construir e manter a frota que sustenta a sua economia está sob ameaça direta. Segundo o relatório da SEA (Shipyard’s Maritime Equipment Association) de junho de 2025, a Europa detém uma liderança incontestada em setores de nicho e alta tecnologia, como navios de cruzeiro e iates, mas perdeu o domínio dos grandes cargueiros para a Ásia. A nova Estratégia Marítima Industrial Europeia, aprovada no início deste mês pela Comissão Europeia surge, não como um mero plano económico, mas como um manifesto de sobrevivência para garantir a autonomia estratégica do continente até 2050. O diagnóstico é claro e urgente. Atualmente, a China assegura 70% das novas encomendas globais de grandes navios, enquanto a Coreia do Sul detém 17%. Esta hegemonia asiática não é fruto do acaso, mas de décadas de subsídios estatais........

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