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“Seguro garante um novo estilo de...”

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24.02.2026

António José Seguro vai ser empossado Presidente da República precisamente quarenta anos depois de Mário Soares também o ter sido, após derrotar Freitas do Amaral na segunda volta. O próximo dia 9 de Março é a data em que o novo Presidente vai tomar posse perante a Assembleia da República, conforme manda a Constituição. Na verdade, o artigo 127.º da nossa lei fundamental determina que a tomada de posse do Presidente eleito aconteça "no último dia do mandato do Presidente cessante ou, no caso de eleição por vagatura, no oitavo dia subsequente ao dia da publicação dos resultados eleitorais". Ora, o último dia dos cinco anos do segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa é precisamente em 9 de Março, data que sinaliza, portanto, a posse e o primeiro dia da Presidência de António José Seguro. O resultado eleitoral obtido nestas presidenciais por Seguro, que corresponde à maior votação de sempre, em número de votantes, é outra curiosidade desta eleição. Com efeito, Seguro venceu claramente as eleições, com larguíssima margem, por mérito próprio, amplamente reconhecido pelos eleitores, como ficou demonstrado na primeira volta. No confronto final com o opositor que lhe calhou na segunda volta, recebeu, como seria expectável, um vasto conjunto de apoios, uns implícitos outros explícitos, de vários sectores políticos, além do seu próprio partido. Mas a quem acompanhou de perto a difícil campanha não passou despercebido o intenso labor de uma pequena equipa de colaboradores e amigos, a maior parte dos quais figuras quase desconhecidas dos eleitores. Ou seja, uma equipa extremamente discreta, pouco ou nada mediática, mas deveras decisiva na forma como decorreu o quotidiano do candidato. De comum, para além das certezas quanto às qualidades pessoais e políticas de Seguro para o exercício da função, tinham o alinhamento com os valores democráticos, que pretendiam ver preservados, e a vontade de dar combate às forças antidemocráticas, que visavam precisamente o contrário, ou seja, a reversão do regime. Convirá recordar que Seguro iniciou o longo e espinhoso caminho que o levaria a Belém praticamente sozinho, e com as sondagens e estudos de mercado a darem-lhe números extraordinariamente baixos. Assumindo uma postura de estadista, que contrastava com os seus opositores, e manifestando genuínas preocupações com os problemas das pessoas e do país, Seguro viu aumentar o número de apoios, a que correspondeu, naturalmente, a subida nas sondagens. Claro que nem tudo foram rosas. Os espinhos que Seguro teve de enfrentar vieram de um vasto leque de detractores, não apenas da extrema-direita populista, liderada por André Ventura e seus apaniguados, o que já seria expectável, mas igual e inexplicavelmente de elementos do seu próprio partido. Aliás, foi precisamente daí que saíram as primeiras censuras, algumas excepcionalmente demolidoras. É certo que tais ataques ocorreram predominantemente antes da escolha oficial de Seguro como candidato presidencial, portanto numa altura em que o PS ainda ponderava várias opções. A ideia de avançar para um referendo interno para escolher o candidato presidencial que recolheria o apoio oficial do partido, comprova a existência de alguma resistência à candidatura de Seguro, questão que, curiosamente, foi apoiada por diferentes alas do PS, embora com predominância indisfarçável dos seguidores de António Costa. Alguns sectores do partido preferiam António Vitorino, outros António Sampaio da Nóvoa, embora quer um quer outro nunca tivessem manifestado grande interesse em entrar na corrida. Talvez o caso mais paradigmático de oposição à candidatura de Seguro tenha sido Augusto Santos Silva, que praticamente se auto-propôs para candidato, acabando por recuar quando bateu de frente com a realidade – a ausência de apoios. Este último movimento é curioso uma vez que Santos Silva foi um apoiante da linha política de Seguro, quando este foi secretário-geral do PS, entre 2011 e 2014, mantendo esse apoio mesmo na disputa interna de 2014, entre Seguro e António Costa. Com a vitória deste último, Santos Silva acabou por se tornar um dos ministros mais próximos e politicamente leais a Costa, assumindo-se como um dos rostos políticos mais combativos na defesa do governo do novo secretário-geral socialista. Não ignoro, bem pelo contrário, que, do ponto de vista ideológico, as correntes internas no Partido Socialista tendem a ser mais circunstanciais do que rígidas. Os exemplos que o comprovam são mais do que muitos e podem ser constatáveis em todos os níveis – nacional, regional e local. O que é certo, e vem dar força ao que acabo de escrever, é que o PS acabou por apoiar oficialmente a candidatura de Seguro, embora manda a verdade que se diga, que não obstante um certo desvanecimento da oposição interna, alguns ditos notáveis insistiram na recusa em acompanhar a posição oficial do partido. Acredito verdadeiramente, mais do que acreditar, tenho a firme convicção, que o novo Presidente não terá a mínima derivação dos seus princípios e será, por isso mesmo, o garante do escrupuloso cumprimento da Constituição, ou seja, um intrépido defensor da liberdade e da governabilidade, mas também da transparência e da decência. Enquanto Chefe de Estado, será, assim, o garante do regular funcionamento das instituições democráticas, sendo certo que desempenhará um papel essencial de equilíbrio, fiscalização e estabilidade do sistema político. Não conheço, obviamente, a composição quer da Casa Civil quer da Casa Militar do novo Presidente, mas não tenho qualquer dúvida que Seguro não facilitará nos convites: só escolherá personalidades com o perfil adequado aos cargos. Para desgosto e desilusão daqueles que sempre se colocam na sala de espera do poder à espreita das oportunidades.

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