“O implícito como ato político”

O Ministro da Educação, Ciência e Investigação (MECI), afirmou recentemente, a respeito das residências universitárias, que “quando metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora”; e acrescentou que “é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas”.
Tais declarações geraram uma vaga de críticas. Muitos viram nelas uma relação causal estigmatizante entre pobreza e degradação dos serviços, culpabilizando os utilizadores mais vulneráveis. Outros interpretaram o discurso como classista, ao sugerir a existência de utilizadores “indesejáveis”, cuja presença prejudica o serviço público, o que poderia legitimar a exclusão social. Houve ainda quem visse nas palavras uma tentativa de desresponsabilizar o Estado, transferindo para os cidadãos a culpa por problemas estruturais, como o subfinanciamento ou a má gestão.

Perante a polémica,........

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