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“O tempo...”

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02.11.2021

...perguntou ao tempo “quanto tempo o tempo tem?”. O tempo respondeu ao tempo que “o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”.

Esta recordação da infância veio-me à memória a propósito da recente discussão sobre a marcação de eleições legislativas antecipadas. Tudo porque tem sido tema de central importância perceber-se o(s) tempo(s) que está(ão) em jogo para cada um dos intervenientes da cena política nacional.
De um lado, o Presidente da República esperaria não ter de perder tempo com o tempo que o país vai perder num ato eleitoral que é tão inesperado na sua origem quanto pode vir a ser desesperante no seu término.
Ainda assim, ao ver-se na iminência de dissolver a Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa precipita um tempo cuja elasticidade tem prazo constitucionalmente fixado (60 dias) e não espera por ninguém. Daí a necessidade de laboriosa e sabiamente urdir a malha que há de justificar uma data que não convenha a ninguém, mas que também (quase) ninguém comprometa, sempre com o interesse nacional como bússola.

Os próximos dias trarão novidades a este propósito, sendo certo que o oráculo presidencial, que toma por nome de guerra Marques Mendes, já anunciou ao país que uma eleição com esta importância não se compadece com debates entre........

© Correio do Minho


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