“O Primeiro Orçamento do resto das...” |
‘Largos dias têm 100 anos’ e os primeiros 100 dias de governação pareceram mesmo respeitar esta lógica. Foi um período de trabalho intenso, marcado, logo à partida, por uma novidade estrutural e transformadora: a aprovação (para muitos, improvável) do novo Plano Diretor Municipal, que viabilizou subitamente mais de 1500 novos hectares para construção no concelho de Braga. Este ciclo inicial de forte dinamismo desagua agora na apresentação do Orçamento Municipal para 2026 que será votado na próxima sexta-feira em reunião da Assembleia Municipal. Fixado em 285,2 milhões de euros e solidamente alicerçado num Plano Plurianual de Investimentos histórico de 102,6 milhões, o próximo ano demarca-se pela introdução de novas respostas para desafios antigos do nosso território. Mais do que um mero documento contabilístico previsional, esta proposta foca-se na ação concreta, na inovação das políticas públicas e na apresentação de soluções tangíveis. A evidência dos números demonstra que é perfeitamente possível aliar o rigor financeiro à execução de novos projetos que protegem a classe média, dinamizam a economia local e garantem a coesão do território. O grande destaque deste orçamento reside nas novidades introduzidas no domínio nevrálgico da Habitação, assim se respeitando o carácter prioritário deste investimento, com uma dotação global de 26,1 milhões de euros. O Município avança com projetos disruptivos no terreno, de onde sobressai a ambiciosa conversão da antiga Fábrica Confiança numa nova e moderna Residência Universitária, injetando uma nova dinâmica na vivência estudantil e aliviando a pressão sobre o mercado tradicional. Em simultâneo, arranca a requalificação profunda dos Bairros das Andorinhas e das Enguardas ao abrigo do programa 1.º Direito, devolvendo condições de habitabilidade condignas a dezenas de famílias bracarenses. Para a classe média, que lida diariamente com a exigência do mercado imobiliário, os apoios diretos ao arrendamento e à mitigação da prestação bancária (através dos programas RADA e RADE) recebem um novo balão de oxigénio com a alocação de 2 milhões de euros. Na mobilidade e na transição ambiental, áreas vitais para a qualidade do nosso quotidiano, 2026 traz mudanças de paradigma com impacto direto no orçamento e na vida das famílias. A grande novidade de cariz social é a implementação imediata de um desconto universal de 14% nos passes dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), uma medida inédita que se junta à justa gratuitidade para estudantes e ex-combatentes. A entrada em circulação de 39 novos autocarros elétricos representa mais um significativo passo na modernização e descarbonização da frota municipal. No plano das infraestruturas, avança-se finalmente para a resolução de bloqueios históricos que há muito limitam a nossa cidade: a rede viária beneficia de 13,5 milhões de euros para novas intervenções, com destaque absoluto para as empreitadas destinadas a desatar o crónico estrangulamento do Nó de Infias e para a repavimentação estrutural da Variante do Fojo. A par destas novidades, o ambiente ganha um novo fôlego com a injeção de 21 milhões de euros, que permitirão concretizar novas fases do Eco Parque das Sete Fontes e impulsionar a ambiciosa renaturalização do Rio Este. Ao nível das funções sociais, o Orçamento introduz respostas de proximidade absolutamente inéditas. Das verbas afetas à Educação, Saúde e Coesão Social — que ascendem ao montante expressivo de 47,4 milhões de euros —, sobressai a construção de novas unidades de saúde familiar. Trata-se de uma novidade de enorme relevo que materializa o objetivo de aproximar os cuidados primários da porta de cada cidadão, complementando à escala local a resposta do poder central. Paralelamente, na área da educação, 21 milhões de euros vão permitir dotar equipamentos fundamentais, como a EB1 do Bairro Económico, da Quinta da Veiga e Frei Caetano Brandão, de infraestruturas totalmente renovadas, preparadas para os novos desafios pedagógicos. Este esforço de renovação ímpar é executado garantindo, em simultâneo, uma base de estabilidade fiscal para quem trabalha e produz riqueza, assegurando-se a manutenção do IMI na taxa de 0,32% e a preservação das habituais isenções de Derrama para as micro e pequenas empresas locais. Braga procura, assim, afirmar-se através de uma governação de proximidade focada na modernização: uma Câmara atenta aos novos desafios, que apresenta soluções concretas e que impulsiona o desenvolvimento de forma planeada e responsável por todo o território. As novidades orgânicas recentemente aprovadas são apenas outra face desta moeda e mais um passo de largo alcance. O caminho faz-se caminhando, mas não deixa de ser notável que se faça tanto percurso em condições políticas desfavoráveis. O contexto minoritário é absolutamente secundarizado pelo ímpeto reformista e concretizador de um presi- dente que demonstra dia após dia merecer a confiança reforçada dos bracarenses.
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Entre ruído e vazio: a crise da alternativa em Braga
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