“Novo mundo” |
Um quarto de século passou desde o ano 2000. Quão longe se encontra o mundo de hoje do que presumíamos viver na altura. Embora persistissem alguns conflitos internos — mais significativos em África e no Médio Oriente —, globalmente, após o fim da Guerra Fria, vivíamos num mundo em que as ditaduras eram residuais e sem conflitos entre nações. Um mundo de fronteiras entre Estados finalmente estáveis, onde, inocentemente, acreditávamos que nos esperava um futuro assente no respeito pelos direitos humanos e na progressiva consolidação da paz.
Esse início de século foi marcado por uma confiança quase ingénua no triunfo definitivo da democracia liberal, do multilateralismo e da cooperação internacional. A História, diziam-nos, tinha abrandado; os grandes choques ideológicos pertenciam ao passado restava-nos gerir tecnicamente um mundo que se acreditava reconciliado consigo mesmo. A globalização surgia como promessa de interdependência virtuosa, e a Europa assumia-se como o laboratório político dessa nova ordem: espaço de integração supranacional, de paz duradoura e de afirmação de valores humanistas.
Contudo, essa narrativa começou a ruir cedo. A Segunda Intifada, em 2000, expôs a fragilidade das soluções políticas no Médio Oriente e a persistência de conflitos identitários irresolvidos. Pouco depois, o 11 de setembro de 2001 marcou uma rutura simbólica e material profunda. O terrorismo global introduziu, então, o medo como variável central da política internacional e potenciou respostas assentes na lógica da força, da exceção e da suspensão de direitos. A “guerra ao terror”........