“Quando o trabalho adoece a mente -...” |
Num contexto económico orientado por métricas de desempenho e maximização de resultados, subsiste uma erosão silenciosa que compromete não apenas a produtividade, mas a própria dignidade humana. A saúde mental, durante décadas marginalizada no discurso organizacional, emerge hoje como um dos principais determinantes do bem-estar e da sustentabilidade social. A sua negligência configura simultaneamente um erro estratégico e uma falha ética de grande magnitude. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de mil milhões de pessoas vivam com perturbações mentais, sendo a depressão e a ansiedade responsáveis por perdas económicas globais na ordem de um bilião de dólares anuais. Estes números não traduzem apenas encargos financeiros, reflectem uma desorganização profunda dos sistemas sociais e laborais. Acresce que cerca de 12 mil milhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido a estas condições, evidenciando o impacto direto na produtividade, mas também na coesão organizacional e comunitária. No plano sociológico, o trabalho permanece num eixo estruturante da identidade e da integração social. Quando........