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“A solidão jovem - a epidemia...”

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30.05.2026

Durante décadas, associámos a solidão à velhice. Imaginámo-la sentada em bancos de jardim ou em casas vazias após a reforma. No entanto, os dados mais recentes, em vários estudos, mostram uma realidade desconcertante: hoje, são os adultos jovens (entre os 18 e os 35 anos) quem mais relata sentimentos persistentes de solidão. Uma epidemia silenciosa, invisível nas estatísticas tradicionais, mas profundamente sentida no quotidiano. A OMS considera a “Solidão prolongada” como um problema de Saúde Pública. A solidão não é apenas “estar sozinho”. “É um sentimento subjectivo e doloroso de desconexão, isolamento ou ausência de contacto social significativo”, onde a falta de pertença pode estar presente. É a discrepância dolorosa entre as relações que desejamos e aquelas que efetivamente temos. Pode existir mesmo, rodeados de pessoas, em cidades cheias, em redes sociais saturadas de contactos. E é precisamente neste paradoxo, hiperconectados/hiperligados, mas emocionalmente isolados, que muitos jovens vivem. As causas são estruturais e não individuais. A instabilidade laboral, os contratos precários, a mobilidade constante, a dificuldade em criar raízes, a cultura do desempenho permanente e a pressão para “ter sucesso”, cedo corroem o tempo e a energia necessários para construir relações profundas. A competição desmedida e desregrada para o “ter material” fútil e volátil. A isto........

© Correio do Minho