menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“Ser mais...”

8 0
02.03.2026

É recorrente a sensação de que ouvimos e lemos sempre as mesmas notícias, de que convivemos com os mesmos problemas, de que nos alimentamos dos mesmos desafios, porventura, num cansaço e saturação feito de desesperança e desânimo, descrença e desconfiança de todos aqueles que nos comandam, de todos nós enquanto comunidade e de acção/ /reacção solidária à vivência quotidiana. Todavia, não deixa de ser verdade e evidente que o mundo insiste e persiste em exemplos de resistência e resiliência, de superação e conquista que nos impactam tanto como sinal de alerta para um sobressalto cívico e ético, quanto como alimento energético de esperança num futuro feito melhor do que o presente. A nível mundial, os povos ucraniano e palestiniano continuam a dar provas e evidências do quanto podemos sofrer injustamente, mas também do quanto podemos lutar pelo que acreditamos, aceitando a fatalidade e a necessidade de ajustar e equilibrar, mas sem abdicar do que somos e do direito que temos “a ser quem somos”. A nível nacional, uma região alargada exibe a sua capacidade de superação perante a violência zangada da água, o clima desregulado e o ambiente dorido de tanto egoísmo humano e expõe -se na sua permanente resposta e recomeço, mesmo cheia de dúvidas, incertezas e parcos recursos. A nível local, a comunidade organiza-se espontaneamente para ajudar e contribuir, aceitando e comungando da necessidade de ser o outro e, assim, sermos todos de corpo inteiro! É certo que, perante tal, o governo do mundo (feito de tantos governos) revela-se incapaz de concertar, impor e resolver. O governo nacional (feito de tantos ministros e secretários) vagueia voluntariosamente numa resposta que ainda gera tantas dúvidas sobre a sua robustez. O governo local (feito de tantos eleitos) centra-se no regionalismo local, ensimesmando-se e silenciando-se. É certo, mas mesmo assim sobrepõe-se o bom exemplo de todos enquanto comunidade! Porque assim é, e porque os bons exemplos merecem divulgação e são bom antídoto para o pessimismo e tristeza, fica a experiência vivida alguns dias atrás, em plena região duriense (Mogadouro) com a denominada Missão País, um grupo de estudantes universitários do Porto em estadia permanente (durante uma semana) em Mogadouro, levando e distribuindo de forma voluntária, desinteressada, alegre e genuína sorrisos, saber, carinho e atenção pela população local, fazendo desta protagonista e rainha maior de uma vida dura e parca, algures no dito “esquecido e frio” interior de Portugal! Provavelmente, do ponto de vista material, pouco terá ficado. Ao nível emocional e experiencial, talvez pouco mais pudesse ter sido feito ou realizado. A expressão genuinamente alegre de quem recebeu e de quem chegou, a disponibilidade dos autóctones para abraçar e acolher e a felicidade dos visitantes em responder e ir ao encontro; a partilha da emoção e da igualdade, num assomo sincero de “todos diferentes, todos iguais” faz com que o hino cantado por todos entoasse pelo território fora num som grave e profundo de afirmação do quanto vale a dignidade humana! Mogadouro mostrou-se cidade organizada, limpa e estruturada, mas, sobretudo, provou ser terra e raiz de gente que, apesar de toda a provação, sabe viver: uns habitando e recebendo, outros visitando e dando. Todos partilhando, por pouco que seja… o que já é muito neste mundo virado do avesso!

Deixa o teu comentário

Tram-Train para Braga

Subscrever NEWSLETTER

Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos.


© Correio do Minho