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“As sementes que não vemos – o...”

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16.06.2026

No mês passado, refletimos sobre o peso silencioso das expectativas — sobre os alunos que carregam o fardo de nunca poderem falhar. Hoje, uma abordagem diferente: do que fica, do que germina, das sementes que lançamos sem saber exatamente quando irão florescer. Junho chega sempre com um cheiro a despedida. As mochilas parecem mais leves, os corredores mais barulhentos, os professores começam a olhar para pautas, relatórios e avaliações finais. É o tempo dos balanços e o tempo em que perguntamos o que foi aprendido, o que ficou por cumprir, o que correu bem e o que poderia ter corrido melhor. Mas há sempre uma pergunta que raramente aparece nas atas, nos relatórios ou nas estatísticas escolares: que sementes lançámos este ano nos nossos alunos? A educação tem esta estranha característica de trabalhar, muitas vezes, sobre o invisível. Nem tudo o que ensinamos floresce imediatamente. Algumas aprendizagens aparecem no teste seguinte. Outras levam meses. Outras levam anos. E algumas talvez só venham a revelar-se muito depois de os nossos alunos terem saído das nossas salas de aula. Ao longo deste ano fui escrevendo sobre crianças e jovens com altas capacidades, sobre curiosidade, criatividade, pertença, liberdade para aprender, expectativas e talento. Temas diferentes, mas ligados por uma ideia comum: a de que educar é sempre um exercício de futuro. Trabalhamos hoje sobre aquilo que só veremos amanhã. E há momentos em que isso se torna visível de forma inesperada. Há dias, numa manhã num........

© Correio do Minho