“Noelia e os limites da eutanásia” |
Já em crónica anterior, neste espaço de opinião, abordei o tema da eutanásia, um dos mais difíceis, mais densos e mais humanos que a sociedade é chamada a enfrentar. Escrevi então sobre a tensão inevitável entre a autonomia individual e o valor absoluto da vida, sobre o perigo de, sob o manto da compaixão, se abrir uma porta a soluções economicamente convenientes para Estados e famílias cansadas de cuidar, e sobre o risco de banalização de uma decisão irreversível. Ainda assim, concluí que, em circunstâncias rigorosamente controladas, deve prevalecer a vontade de quem sofre, desde que devidamente confirmada por critérios médicos e periciais exigentes, livres de qualquer dúvida. Essa posição, ponderada mas convicta, foi, entretanto, confrontada com a realidade brutal dos acontecimentos em Espanha: a morte de Noelia Castillo Ramos, de 25 anos de idade, ocorrida na passada quinta-feira. Antes de mais, impõe-se uma nota de profundo respeito por Noelia. Não conheço em profundidade todo o seu percurso, nem o detalhe integral do processo que conduziu à sua morte. Conheço apenas o que foi sendo tornado público através de inúmeros artigos jornalísticos e de conteúdos divulgados nas redes sociais, incluindo entrevistas e momentos em que a própria se expôs em monólogos. É com base nisso que me atrevo a partilhar convosco este artigo. A história de Noelia é, antes de mais, uma história de sofrimento. Uma........