“A infância em modo avião” |
Durante anos, habituámo-nos a ver crianças com telemóveis na mão como se fosse apenas mais um detalhe da paisagem. No carro, no restaurante, na sala de espera. Silenciosas, concentradas, ocupadas. Parecia prático. Parecia inofensivo. Parecia… normal. Hoje, já não temos tanta certeza. O Ministério da Educação decidiu avaliar os efeitos da proibição do uso de telemóveis no 1.º e 2.º ciclos e admite alargar essa medida, até ao 3.º ciclo. A notícia, por si só, diz mais sobre o presente do que qualquer estudo. Porque revela uma inversão silenciosa: aquilo que aceitámos sem grande resistência começa agora a ser questionado. E a pergunta impõe-se, não tanto sobre a proibição, mas sobre o caminho que nos trouxe até aqui. Em que momento é que passou a ser natural uma criança ter acesso permanente a um dispositivo desenhado para captar atenção? Quando é que deixámos de estranhar? Não houve propriamente uma decisão. Houve uma adaptação. Primeiro, foi uma exceção: para entreter, para acalmar, para facilitar uma refeição, uma viagem, um momento........