“A Obra Maior de Baden-Powell - O...”
No escutismo, como vimos, os Exploradores foram a primeira Secção a ser criada e de ato contínuo o Movimento abriu às raparigas de forma espontânea sob a pressão exercida por elas no fecho do «Rali do Palácio de Cristal, em Londres» e assim surgiram as «Guias», com a ajuda preciosa da sua irmã Inês e da sua esposa, tendo publicado, no ano de 1917 o «Livro das Guias». O ritmo de adesão ao Movimento Escutista era avassalador e, em 1916, com a publicação do «Manual do Lobito» da autoria de Baden-Powell, é reconhecida, oficialmente, a Secção dos Lobitos.1 Baden-Powell parece, também aqui fazer um compasso de espera entre o surgimento do fenómeno, neste caso, a Secção dos Lobitos. Na realidade e em bom rigor, a existência de Alcateias, está documentada desde 1914, pois o próprio Baden-Powell, neste ano, anuncia, na revista da Associação Escutista Inglesa destinada aos adultos, Headquaters Gazett, o seu surgimento para o ano de 1916, sob a designação de “uma secção júnior para o Escutismo”. Neste empreendimento de lançamento da estrutura e publicação do livro enquadrador, o fundador terá tido a “preciosa” ajuda de sua irmã Agnes. A própria Vera Barclay aparece como chefe de uma delas, nesse ano e, em 1915, fundou uma Alcateia em Hertford Heath, no nordeste de Londres, mas, na verdade, muitas destas experiências não tiveram muito êxito, por não haver um método e um programa adequados às crianças, de tal forma que, no dia 16 de junho de 1916, numa conferência em Londres, os chefes dos Lobitos reuniram-se para reivindicar o esperado manual para os Lobitos. É discutível se Vera Barclay participou ou não neste encontro, mas foi nesse dia que se encontrou com o Fundador, tudo leva a crer que foi numa “reunião à margem do evento”, como diríamos hoje, o que é certo é que o próprio fundador a convidara e que na sequência deste convite ou desta participação, há defensores para ambas as teses, sendo aqui irrelevante tomar posição. Ainda nesse ano, Vera Barclay passou a integrar a equipa liderada pelo fundador, sendo a responsável pela Secção dos Lobitos, posto que manteve até 1927, e trabalhou, intensamente, na reformulação do Manual do Lobito que só nessa altura passou ter como pano de fundo a obra do amigo de B.-P., Rudyard Kipling, “O Livro da Selva”. Este livro está cheio das suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação e, principalmente, de um grande conhecimento da natureza da criança. Ela via, claramente, a necessidade de conservar a essência do método escutista, mas promover a sua aplicação, tão distinta quanto possível, atendendo à natureza das crianças. Vera Barclay ainda escreveu e publicou dois livros vitais para esta consolidação: “Como se Dirige uma Alcateia”, traduzido, a partir da versão em língua francesa, de Louis Doliveux, por João Parente (Lobão), o comissário geral dos Lobitos adjunto do CNE, e publicado em 1935, depois de ter sido publicado “em doses homeopáticas na «Flor de Lis», vem agora a lume este pequeno mas precioso livro”, palavras do tradutor na dedicatória do livro, e “Sabedoria da Selva – O Livro dos Chefes de Alcateia”, traduzido por Maria Teresa Rabaça Gaspar2 publicado em Portugal pelo CNE em 1982, embora a sua tradução, como a própria tradutora o afirma, date de 1972 (in introdução). O Capitão Graciliano Marques é um dos primeiros colaboradores de D. Manuel Vieira de Matos, foi o Comissário Nacional que assinou a Ordem de Serviço nº 5, com data de 17 de dezembro de 19243, que convoca a primeira reunião ordinária da Junta Central (Conselho Nacional, na terminologia de hoje) para, de entre outros assuntos, ser eleito o Comissário Nacional e os dois vogais da Comissão Executiva. Este fundador foi também o primeiro Comissário Diocesano de Braga. Em “A Flor de Lis” nº 1, de fevereiro de 1925, na rubrica “Atos Oficiais”, pode ler-se: “na terceira e última sessão apresentou o comissário regional de Braga o seu memorável trabalho acerca dos métodos pedagógicos do escutismo, que agradou imenso e foi muito aplaudido”, que documentos suportaram tal apresentação? Tanto quanto sabemos, há vários manuscritos4 do chefe Graciliano Marques que podem ter servido de suporte a esta célebre intervenção tão apreciada. 1https://en.wikipedia.org/wiki/Scouting_magazine_(The_Scout_Association)#The_Wolf_Cub_ (1916%E2%80%93?),_The_Trail_(1918%E2%80%931923)_and_The_Rover_World_(1934-1939) 2Maria Teresa Rabaça Gaspar, apresentou recentemente uma versão corrigida desta tradução, mas que ainda não foi publicada, provavelmente aguarda uma nova edição do livro. 3ibidem, pp. 17 e 18. 4Graças à amabilidade da sua neta, Maria José Ferraz Marques Caneiro, dirigente do Agrupamento 208 do CNE - Ferreiros - Braga.
Deixa o teu comentário
Últimas Escreve quem sabe
Chef Anthony Gonçalves: a cozinha portuguesa no topo de Nova Iorque
Subscrever NEWSLETTER
Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos.
