“Graças por aqui ter chegado! ”
Este 10 de Maio tem um sabor diferente, caro leitor. Se não para os outros, que nem sabem que eu existo, para mim, obviamente. É um dia muito especial, de chegar aos 35 anos em cada perna. Nem eu acredito, meu Deus. Tão meteórica é esta vida, se bem nela pensarmos. Ou por não pensarmos nela, não sei bem. Assim, é tempo de um singelo balanço a tantos anos de tão curta vida… Nascemos, faz pouco tempo, vamos à escola, nos seus diversos graus, entramos na vida profissional, e o maldito relógio nunca mais pára, avassalador, nesta condenação a uma vida tão efémera, tão rápida, tão urgente, sem quaisquer laivos de eternidade. Este cronista viu a luz do dia em pleno salazarismo, na Borralha, Montalegre, onde as minas de volfrâmio chamaram imensa gente dos territórios vizinhos para a angariação de algum salário, quando não para a morte lenta pela silicose, como aconteceu com familiares. De Fafe abalaram muitos homens para as minas da Borralha, enquanto deram, cheios de esperança numa vida melhor que a dos campos de onde extraíam miséria e fome. Porque nos últimos anos da década de 1950 já tinha sido chão que dera uvas, terminada a Segunda Guerra Mundial, para onde fora canalizada a maioria da matéria prima. Com pai minhoto e mãe barrosã, o destino trouxe a família até às terras da “Justiça”, onde sedimentou raízes que se diriam para sempre. O pai, entretanto, rumou a terras de França, numa das primeiras grandes levas de emigração que arrancou por começos dos anos 60 do século passado. Entre 1960 e 1974, em década e meia, saíram de Portugal, em busca de condições mais dignas de existência, perto de milhão e meio de cidadãos, entre os que partiram legalmente e os que saíram “a salto”, ou com o chamado “passaporte de coelho”, sobretudo para França, o que dá uma média de perto de 100 mil........
