“A direita radical não é...” |
A extrema-direita radical, na Europa e em Portugal, reclama-se de uma formação católica, apostólica, romana, mas a prática política desmente categoricamente a hipocrisia e o cinismo dessas afirmações. Porque não é cristão quem maltrata o seu semelhante, seja quem for, por muito que bata com a mão no peito na igreja da paróquia. Como não é cristão quem passa a vida a criar, fomentar e distribuir discursos de ódio, por muito que vá à igreja, muito compungido e agoniado, para que os outros saibam que vai. Mas de nada vale a falsidade. São trastes, apenas, para capitalizar votos e suscitar postiças adulações. Não é cristão quem passa a vida a atacar os outros, sejam imigrantes, ou homossexuais, ou minorias de qualquer matiz, ou apenas gente marcada pela diferença. Não é cristão quem não cumpre, nem respeita os direitos humanos, quem não aceita a diversidade aos seus diferentes níveis, quem vive em permanente estado de exaltação, de divisionismo, de conflito, de ataque, de terrorismo verbal, de azedume. Quem não pratica a tolerância, o respeito, a solidariedade, a fraternidade. São o que a Bíblia apelida de “sepulcros caiados de branco”, escribas e fariseus sem qualquer honra. Gente desprezível, sem nível nem qualidades, por muito que esteja no poder, por muito que tenha milhares de seguidores nos comícios ou nas redes sociais. Então a ladainha contra os imigrantes raia o paroxismo da imbecilidade e da idiotice. Estamos a falar de gente que vem de países de pobreza, de guerra, de perseguição, e que atravessam mares ou terras à procura de uma vida melhor, onde possam ter a dignidade de trabalhar, conviver e enviar o seu remanescente para as famílias em África, na Ásia ou nas Américas. Estamos a falar de uma prática que a humanidade exercita desde que a História começou: a........