O repórter e a dor do outro
Esqueça a imagem do jornalista frio, marcado pelo distanciamento do fato e pela ideia de isenção, que quase o desumaniza. Esse jornalista não existe. Em quase três décadas no exercício do jornalismo, conheci pessoas pelas quais era impossível não sentir empatia. Você deve se lembrar da imagem do pequeno Alan Kurdi, o menino de 2 anos engolido pelo Mar Mediterrâneo e encontrado morto em uma praia da Turquia, em 2 de setembro de 2015. A camiseta vermelha, a bermuda e os tênis davam a impressão de que ele dormia. Falei com Abdullah Kurdi, pai de Alan. Perdeu os dois filhos e a esposa na tragédia. Sua família queria apenas chegar à Europa. Mas o naufrágio afogou todos os seus sonhos. Ao fim da entrevista por telefone, senti vontade de abraçar Abdullah, caso estivéssemos frente a frente.
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