A construção dos heróis

Quando o público escolhe seus favoritos, não é apenas gosto, identificação ou torcida ocasional, mas uma estrutura narrativa que nasce quase do instinto. E poucos fenômenos escancaram isso com tanta nitidez quanto a trajetória de Ana Paula Renault, que retornou, após 10 anos, para buscar o prêmio que deixou para trás ao ser expulsa do Big Brother Brasil em 2016.

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Quando ela surgiu nesta edição como veterana, não era exatamente uma heroína clássica. Temperamental, explosiva e, por vezes, contraditória, veio com a etiqueta de vilã desclassificada após um arroubo de agressividade. Mas bastou ser colocada na posição de confronto — isolada, questionada e tensionada — para que o público começasse a reorganizar sua percepção. Não importava mais apenas o que ela fazia, mas contra quem ela fazia. E, sobretudo, como resistia.

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