Os custos implícitos da comunicação do BC

Benito Salomão  — professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal de Uberlândia (PPGE/UFU)

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Na sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. Essa decisão já era esperada pela ampla maioria dos agentes e, portanto, não causou surpresas. Surpreendente mesmo é a imensa dificuldade encontrada pelo Comitê de explicar a sua decisão. A inflação no país voltou a performar acima da meta nos meses recentes, fruto de choques em preços de energia. No entanto, o atual nível de contração da política monetária deveria ser capaz de produzir a convergência em horizonte razoável.

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Para que tenhamos clareza, uma Selic de 14,25% coexistindo com uma inflação de 4,72%, supõe uma taxa real de juros de 9,53%. No último Relatório de Política Monetária (RPM) o Copom sinalizou uma taxa neutra de juros de 5%. A taxa neutra de juros pertence à família de variáveis não observáveis, trata-se de uma taxa de referência de longo prazo quando a demanda se iguala ao PIB potencial. Entende-se que, se o juro real for igual ao neutro, a política monetária nem estimula, tão pouco desestimula a inflação. Isso nos dá uma certa noção sobre o quão contracionista segue a política monetária no país........

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