O paradoxo da esquerda tradicional diante da Venezuela |
Luz Neira Parra — membro da Associação Venezuelana de Pesquisadores em Comunicação (InveCom), jornalista e professora universitária
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O dia 3 de janeiro de 2026 marcou um marco devastador na prolongada e profunda tragédia venezuelana. A operação militar culminou com a destituição de Nicolás Maduro do poder de uma revolução tão fracassada quanto sangrenta. Os Estados Unidos decapitaram e interromperam décadas de opressão e medo silencioso de sua população, mas também de destruição sistemática das instituições e do aparato produtivo de um país democrático. Enquanto os venezuelanos dentro do país prendiam a respiração, ainda sob a ameaça do regime que, embora ferido, mantém o controle das armas, dos territórios e do medo, os exilados comemoravam com emoção transbordante: lágrimas, alívio, incredulidade. Comemoravam porque, após anos de dor e exílio forçado, o ciclo de terror parecia abrir uma porta, ainda que frágil, para a esperança.
Em contrapartida, uma parte significativa da esquerda reagiu como sempre: revelando uma profunda divisão na esquerda latino-americana e global. Ela se pronuncia com o discurso anti-imperialista dos anos 1960, repleto de clichês sobre a intervenção dos Estados Unidos; solidariza-se com Maduro e o regime chavista, depois defende a soberania, que antes nunca defendeu, diante da presença forçada em território venezuelano de grupos armados colombianos e diante do controle do poder político por parte dos cubanos, e, por fim, se sobrar espaço, a consideração pelos venezuelanos, sem nunca mencionar que Maduro é um ditador sanguinário que roubou........