No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas |
Paulo Guimarães — CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, formado em engenharia civil, especialista em gestão e normatização de trânsito
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Antes de tudo, é preciso entender o que significa, de fato, "enxergar o outro" no trânsito. A expressão, que inspira campanhas e discursos, carrega duas dimensões complementares. A primeira é objetiva: diz respeito aos pontos cegos — aqueles espaços invisíveis aos olhos de quem dirige, seja no entorno dos veículos, seja em situações comuns como esquinas e cruzamentos. A segunda é mais profunda e incômoda: trata da nossa cegueira social, alimentada pela pressa, pelo individualismo e por uma cultura que, ao longo do tempo, normalizou a indiferença e enfraqueceu a empatia.
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Todos temos pontos cegos — físicos e de atenção. E, não por acaso, é justamente nesses espaços que se encontram, com frequência, os usuários mais vulneráveis do sistema viário: pedestres, ciclistas e motociclistas. Mas "enxergar" não se limita a perceber........