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Enxugar o gelo da ponta do iceberg não basta

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16.08.2026

Maria Mello - Coordenadora do programa Criança e Consumo do Instituto Alana

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A pressão para impedir o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais vem ganhando força. Depois de a Austrália aprovar a proibição para menores de 16 anos, outros países passaram a discutir medidas semelhantes. Mais recentemente, a França anunciou sua lei de banimento. 

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A movimentação é compreensível. As redes sociais não são produtos neutros, mas ambientes cuidadosamente projetados para lucrar por meio da disputa da atenção, valendo-se de mecanismos de recompensa que estimulam a permanência prolongada e o uso compulsivo. 

Quando esse modelo encontra pessoas em pleno desenvolvimento cognitivo, emocional e social, a assimetria é evidente. Na infância e na adolescência, áreas do cérebro responsáveis pelo controle de impulsos, pela avaliação de riscos e pela tomada de decisões ainda estão em formação, justamente quando ganham força a busca por validação social, pertencimento e experimentação. Não é coincidência que esses sejam alguns dos principais elementos explorados pelas plataformas digitais.

No Brasil, a inaceitável morte, em julho, de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS), induzida ao........

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