Além dos likes: impulsionando os direitos das crianças no mundo digital
Maria Mello — gerente do Eixo Digital do Alana; Rodrigo Nejm — doutor em psicologia e especialista em educação digital do Alana
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Por muito tempo, o trabalho infantil esteve associado apenas a imagens de crianças em lavouras, fábricas ou nos semáforos das grandes cidades. Hoje, porém, uma nova forma de exploração surge sob um manto de fama e da promessa de grandes fortunas. Em vez de ferramentas e máquinas, crianças e adolescentes carregam seus celulares; em vez de patrões visíveis, sua atuação é impulsionada por algoritmos, plataformas e interesses comerciais que transformam sua imagem, sua rotina e até sua intimidade em ativos econômicos.
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Para se ter a dimensão do problema: uma pesquisa realizada em 2022 apontava que 75% das crianças, adolescentes e jovens entre 8 e 23 anos desejavam se tornar influenciadores digitais, sendo que para 64% delas o interesse era financeiro. Como, então, garantir a liberdade de expressão artística de crianças e adolescentes sem permitir que ela se converta em exploração econômica, seja por parte das empresas ou das famílias?
A legislação brasileira, alinhada à Convenção nº 138 da Organização........
