Uma música do Sá e Guarabyra – Isabela e o passarinho morto. |
Estava aqui olhando para o monitor e ouvindo uma música do Sá & Guarabyra à espera de alguma ideia para escrever essa crônica. Tanta coisa para falar e nada me ocorre.
Lá longe, no quadro da minha memória, existe uma casa que hoje resiste apenas como lembrança. É uma imagem tão forte, consigo sentir até o cheiro da madeira e do telhado banhado de chuva. Já passou, já passou.
Morenão, 55 anos de histórias e muitas aventuras
O nosso sonhado teatro municipal
É outono lá fora e as folhas das árvores estão castanhas, da mesma cor dos olhos e dos cabelos de Isabela, a menina que me visitou em sonho implorando para que eu escrevesse uma história na qual ela seria a heroína.
“Deixe-me em paz, Isabela.”
Fui proibido de escrever na voz feminina. Não sei bem o motivo, mas parece que incomoda uma boa parte das mulheres o fato de eu, um homem bem vivido — termo que estou usando para não dizer que estou velho — ficar relatando na escrita os sentimentos de uma mulher.
Ocorreu-me, pouco antes de ligar o computador, a imagem de ontem, de quando vi um passarinho morto na calçada da esquina. Pobre bichinho. Deve ter sido o frio da noite passada.
Fiquei pensando naquele passarinho, voando sem destino, cruzando o céu da grande cidade em busca de comida. Se ele soubesse que seria o último voo, talvez fizesse algo diferente: viajasse até uma aldeia distante, desse uma pirueta no ar, depois o mergulho ligeiro bem no meio do rio e, de lá, subisse voando feliz, sentindo os raios do sol secando suas........