A casa e a escuridão
A casa era cheia de sombras e ruídos... Era um cenário vivo e vibrante, um labirinto de corredores estreitos e quartos pequenos, com estroncas e móveis antigos e gastos que rangiam e gemiam a cada passo. O chão de madeira estonava, e as portas abriam e fechavam com um som que se esfrega.
Ainda hoje não esqueço do ar denso com o cheiro de madeira velha e mofo, e o som de insetos e pequenos animais ouvidos nas paredes e no teto. A luz sempre fraca, das lamparinas a querosene, e as sombras dançavam nas paredes, criando um ambiente misterioso e aconchegante.
A casa era um organismo vivo, com seus próprios ruídos e movimentos de ranger e gemer, como se estivesse se estendendo e se contraindo, e os móveis me davam a impressão que pareciam se mover sozinhos, como se estivessem vivos. Apesar dos barulhos, e da confusão mental que a casa me causava, era um lugar acolhedor, um refúgio para mim, um lugar onde me sentia segura, quando eu não me deixava me levar pelo som das estroncas e dos ruídos, ali eu me esquecia do mundo exterior.
A casa é um personagem em si mesma, um lugar reminiscente, lugar onde história e memória afetiva se encontram, e onde as pessoas desta história vivem e conectam o passado e o presente.
Pobre e simples, casa de serraria... um lar humilde, mas cheio de calor e acolhimento. Pequena, com paredes de madeira bruta e........
