Por que perguntar incomoda tanto se é disso que vive o jornalismo?

Alguns leitores, muitos alunos, me escreveram ao longo dos últimos meses com perguntas objetivas, diretas, que eu próprio não consegui responder ao longo de 2025. Não eram provocações nem exercícios retóricos, mas dúvidas legítimas diante de fatos públicos mal explicados, investigações interrompidas, decisões concentradas e silêncios oficiais persistentes. Reunir essas interrogações — incômodas, documentais, verificáveis — foi a forma encontrada para transformar perplexidade em método jornalístico. É desse acúmulo de perguntas sem resposta que nasce este artigo.

Qual foi, afinal, a resposta objetiva do deputado Sóstenes Cavalcante à descoberta de R$ 470 mil em dinheiro vivo, acondicionados dentro de um saco de lixo em seu apartamento? De quem era o dinheiro, por que estava ali e por que o caso não avançou para uma investigação patrimonial profunda? Houve quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do parlamentar?

Por que assessores diretos desse deputado movimentaram milhões de reais em tão pouco tempo, apesar de salários absolutamente incompatíveis com esse volume? Esses fluxos foram comunicados ao Coaf? Houve relatórios de inteligência financeira ignorados? Serão laranjas ou apenas inocentes úteis?

O que continham os telefones celulares do deputado Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro? As mensagens foram integralmente periciadas? Quem teve acesso ao........

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