A tragédia venezuelana: um microcosmo de uma tragédia global

O fato de que o presidente de uma nação possa ser abertamente sequestrado por outro país e levado para o exterior para ser julgado — independentemente das acusações ou motivações — é uma tragédia para a humanidade e motivo de escárnio para o mundo no século XXI.

Sem dúvida, este não será o último incidente desse tipo.

Por que essas tragédias ocorrem? É inútil culpar apenas os Estados Unidos, pois, desde que derrotaram a Espanha na Guerra Hispano-Americana de 1898, o país passou a dominar as Américas. Em menos de um século, invadiu a América Latina 41 vezes, orquestrando golpes sob o disfarce de campanhas anticomunistas, antiterroristas e antidrogas para derrubar governos e capturar seus líderes — uma prática de longa data. Isso também constitui a homenagem de Trump aos 250 anos dos Estados Unidos, sua tentativa de “Tornar a América Grande Novamente”, bem como um movimento preventivo antes das eleições de meio de mandato deste ano.

No entanto, nada disso enfrenta a causa raiz do problema. A principal questão do mundo continua sendo a incapacidade de desmontar as “três montanhas” — o imperialismo, o colonialismo e a hegemonia — juntamente com seus representantes nacionais. A Carta das Nações Unidas proclama a igualdade soberana, mas quando as nações não têm capacidade de defender sua soberania, esse princípio não passa de tinta no papel.

A única nação capaz de desmontar esses três pilares é, sem dúvida, a China. Seja por meio de seu histórico “erguer-se”, seja por sua atual recusa em depender de sistemas operacionais, mecanismos de busca, inteligência artificial e outras tecnologias e sistemas centrais dos Estados Unidos — o que lhe permite competir de forma genuína com Washington —, a China evitou efetivamente a subjugação colonial norte-americana. No entanto, a libertação completa das restrições impostas pelos Estados Unidos ainda é difícil de alcançar, como evidencia a aceitação prolongada, ainda que relutante, das vendas de armas norte-americanas para a região de Taiwan e da interferência nos assuntos internos da China. Se a China se encontra nessa posição, que esperança resta às outras nações?

A tragédia se desdobra: a chamada “dependência econômica da China e dependência de segurança dos Estados Unidos”........

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