Memória literária e política para o Recife

Nesta semana, como se caíssem na vista de repente, as notícias falam em turismo literário. Esse novo lazer permitiria “vivenciar cenários reais que inspiraram obras ou personagens e mergulhar mais profundamente nas histórias narradas”.

No entanto, em vez da viagem por lugares, de passagem, a fundamental escritora e jornalista Memélia, vivendo hoje nos Estados Unidos, já havia levantado a bola muitos anos antes. Mais exatamente em 2017, mas com uma dimensão política e histórica: 

“Quando eu estava lendo seus livros, apelei para o Google Mapas e tive uma ideia que está valendo. Se eu morasse no Brasil, talvez pudesse pôr em prática. A ideia é criar um roteiro turístico-amoroso da resistência do Recife. E, quem sabe, fazer pacotes para os turistas. E se os bares citados ainda existem, o roteiro programaria o final do tour num desses bares. Eu realmente gostaria de fazer isso. Mostrar os lugares do Recife em ambos os romances, ‘Soledad no Recife’ e ‘A mais longa duração da juventude’. 

Conversei com o autor algumas vezes e lhe disse que se tivesse capital criaria um roteiro turístico no Recife percorrendo as ruas, restaurantes, bordéis, pensões, a praia da Boas Viagem, Porto de Galinhas e outros logradouros que em vários momentos foram cenários daqueles meninos que carregavam no peito o ardor revolucionário; daqueles pós-adolescentes que eram feridos de morte quando cada companheiro caía nas mãos dos nossos implacáveis inimigos, entre eles Cabo Anselmo e o delegado Sérgio Fleury. E mais, que produziria um filme com inspirações de Jean-Luc Godard dos anos 60/70 e Fellini. A viagem daqueles combatentes a Porto de Galinhas........

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