Ceuta e Melilla: a migração como arma geopolítica |
A entrada de dezenas de milhares de marroquinos em Ceuta e Melilla foi apresentada como mais uma crise migratória. Essa explicação, embora contenha parte da realidade, é insuficiente.
O episódio parece resultar da convergência entre uma crise social aguda no Marrocos, a utilização da migração como instrumento de pressão diplomática e um contexto geopolítico marcado pelas tensões entre Espanha, Marrocos, Estados Unidos e “Israel”.
O primeiro fator é interno. O êxodo de milhares de jovens marroquinos evidencia o desemprego, a desigualdade e a falta de perspectivas econômicas, contrastando com a narrativa oficial de prosperidade promovida pelo governo do rei playboy Mohamed VI. A pressão migratória possui, portanto, causas sociais concretas.
Entretanto, também é um fato que Marrocos já utilizou o controle migratório como mecanismo de pressão sobre a Espanha.
A crise de Ceuta, em 2021, demonstrou que o relaxamento dos controles fronteiriços pode transformar rapidamente um problema social em uma crise diplomática.
Os acontecimentos atuais apresentam características semelhantes, sugerindo que Marrocos administrou, ao menos........