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Quarto Vazio — As mães no cinema

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16.03.2026

Há um gesto que o cinema contemporâneo tem repetido com uma insistência que não pode ser romantizado, entrar nos espaços das infâncias e vidas interrompidas. Fotografar as camas feitas que ninguém mais vai desfazer. Registrar os brinquedos que ficaram ou documentar a ausência como se a ausência fosse, ela mesma, uma prova do crime.

All The Empty Rooms — indicado ao Oscar 2026 e disponível na Netflix — faz exatamente isso. O curta-metragem documental acompanha um jornalista e um fotógrafo percorrendo os Estados Unidos para registrar os quartos de crianças assassinadas em tiroteios escolares. O que o filme mostra não é a bala. É o que fica depois da bala: a mochila pendurada, o pôster na parede, a luz que alguém esqueceu acesa. O luto como arquitetura. A ausência como documento político.

Do outro lado do mundo, Um Zé Ninguém Contra Putin — vencedor do Prêmio Especial do Júri em Sundance e também indicado ao Oscar 2026 — registra clandestinamente um professor russo que denuncia a doutrinação militar imposta às escolas sob o regime de guerra de Putin. São crianças sendo preparadas para morrer antes mesmo de entenderem por quê. Dois filmes, dois países, dois contextos radicalmente distintos — e um mesmo eixo: a escola como campo de batalha. A infância como alvo.

Quando esses filmes chegam ao circuito internacional de premiações, o mundo para para assistir. Quando a mesma história acontece nas favelas brasileiras, é preciso que as próprias vítimas peguem a câmera e façam a produção de roteiros re-contextualizados.

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