Psicanalistas denunciam a venda de credenciais e a banalização da clínica

Nos últimos anos, multiplicaram-se nas redes sociais e plataformas digitais ofertas de “credenciais”, “registros exclusivos” e “certificações internacionais” voltadas a quem deseja atuar como psicanalista. Os pacotes prometem reconhecimento profissional, apoio jurídico, mentoria de marketing, roteiros clínicos, documentos padronizados, grupos exclusivos e até o direito de uso de um suposto registro em redes sociais — tudo mediante o pagamento de uma taxa anual relativamente baixa. Para psicanalistas de orientação freudiana, lacaniana e winnicottiana, esse tipo de proposta representa um desvio grave dos fundamentos éticos e clínicos da psicanálise.

Chama atenção, ainda, a opacidade dessas iniciativas. “A divulgação insiste desde o final do ano passado, mas ninguém sabe quem é o tal ‘presidente’ (que teria 25 anos de trabalho no campo). O nome desse suposto ‘ser iluminado’ simplesmente não aparece em nenhuma comunicação oficial”, relata um psicanalista ouvido pela reportagem. A ausência de responsáveis identificáveis, aliada a uma estética institucional que simula conselhos profissionais, acende alertas não apenas clínicos, mas também jurídicos.

Desde sua fundação por Sigmund Freud, a psicanálise não se constitui como uma profissão regulamentada nos moldes tradicionais, tampouco como uma prática certificável por selos institucionais. Diferentemente de outras áreas da saúde, sua formação não se apoia em registros, números ou autorizações administrativas, mas em um tripé rigoroso: análise........

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