A ONU e a restauração hierárquica dos corpos
A atual disputa sobre quem pode, ou não, influenciar as "criancinhas" abre a cena deliberada da transfobia desde a escolha do cenário, das credenciais e do palco. Vamos entender! Quando uma relatora especial das Nações Unidas utiliza o prestígio institucional de um mandato criado para proteger mulheres e meninas como plataforma para atacar direitos de pessoas trans e travestis, não estamos diante de um debate acadêmico sobre definições. Estamos diante de uma operação política de reordenação moral — e o Brasil, em março de 2026, foi um de seus cenários mais visíveis. Já escrevi anteriormente sobre o assunto, mas nunca é suficiente diante dos reiterados ataques em nome do "futuro da humanidade" que, desde o Velho Testamento, aparece nos discursos de quem acredita saber o que é melhor para todos. Vamos fazer uma breve revisão.
Reem Alsalem, nomeada Relatora Especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas em 2021, acumulou nos últimos anos uma série de documentos que, tomados em conjunto, constroem uma arquitetura discursiva inequívoca. Em junho de 2025, apresentou ao Conselho de Direitos Humanos o relatório "Violência baseada no sexo contra mulheres e meninas: novas fronteiras e questões emergentes", recomendando que os termos "mulheres" e "meninas" sejam usados exclusivamente para "fêmeas biológicas" e defendendo restrições à transição legal e social de crianças com disforia de gênero. Em julho do mesmo ano, apresentou à Assembleia Geral o relatório A/80/158, sobre gestação por subrogação, concluindo que a prática está estruturalmente associada a exploração e violação de direitos humanos. Cada documento pode ser lido,........
