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A Catedral, o Iluminismo das trevas e Gray Mirror

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20.06.2026

Curtis Yarvin, o pseudônimo de fórum que virou padrinho filosófico da Nova Direita, propõe acabar com o voto e substituir o Estado por uma ditadura corporativa — e seus discípulos no poder, de J.D. Vance a Elon Musk, já testam o roteiro. O que Hannah Arendt, Chantal Mouffe e Levitsky & Ziblatt revelam é que o disfarce do autoritarismo, ao contrário do previsto, deixou de ser necessário — à direita declarada e em espaços que se dizem progressistas.

Em maio, Curtis Yarvin subiu ao palco do UnHerd Club, em Londres, apresentado como "o padrinho filosófico" da Nova Direita — um pseudônimo de fórum que, em quinze anos, virou vocabulário corrente em Washington e no Vale do Silício. O dado interessa menos como biografia do que como sintoma: o que revela sobre o estado dos freios institucionais que supostamente protegem as democracias de seus próprios líderes eleitos.

Sua tese central, "A Catedral", afirma que universidades, imprensa e burocracia formam um consenso ideológico que torna o voto cosmético — sempre há alguém pensando por nós, logo todo resultado eleitoral já nasce manipulado. Daí a proposta de "reinicializar" o Estado como empresa, com um CEO-soberano respondendo a "acionistas", não a cidadãos. Não ficou no papel: o........

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