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"A cisheteronormatividade cafona e o medo de quem sempre se acreditou dono do poder"

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07.06.2026

Algumas frases que funcionam como síntese de uma época foram protagonizadas pelos expulsos do "paraíso", já dizia João Silvério Trevisan em Devassos no Paraíso. Durante a 30ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a deputada federal Erika Hilton afirmou algo que ajuda a compreender uma das maiores tensões da política brasileira contemporânea. Segundo ela, quando a população LGBT chega aos espaços de poder, não chega para brincar. A ironia ao vermos LGBTQIAPN , negros, PcDs e outras dissidências segura marca o vazio entre aqueles que se veem melhores que seus pares.

A afirmação parece simples, mas toca numa ferida profunda da sociedade brasileira. Durante séculos, determinados grupos ocuparam o Estado, a política, os meios de comunicação, as universidades e os espaços de decisão como se fossem extensões naturais de seus próprios corpos. Homens brancos, cisgêneros, heterossexuais e herdeiros das estruturas coloniais aprenderam a confundir privilégio com mérito e presença histórica com direito divino à permanência. Nem Bacurau, filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, conseguiu tocar tais corações.

Talvez por isso a chegada de novos sujeitos à cena pública produza tanto desconforto. É a máxima de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, em plena ação. A filha da empregada não pode ser doutora,........

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