Entre Maduro e Trump, quem apanha é Lula
Nas primeiras horas da manhã de sábado, uma parte da mídia progressista e de um segmento da esquerda que gosta de se apresentar como referência moral se apressou em construir uma narrativa sobre a prisão de Nicolás Maduro. Esse campo, acostumado à lógica da pureza política, tratou o episódio não como um ataque grave à soberania de um país, mas como mais uma oportunidade para transformar a política externa brasileira em tribunal ético. Em vez de olhar para a escalada intervencionista dos Estados Unidos, preferiu localizar o inimigo dentro de casa e apontar para Lula como o grande responsável pelo desfecho da crise.
Essa pressa em atribuir culpa não nasce da análise do cenário internacional. Ela se organiza dentro do mesmo ambiente que descrevi em outros textos, onde a vida pública é conduzida pela suspeita, pela desconfiança e por um moralismo que substitui a política por rituais de acusação. Em vez de observar as forças em disputa e os interesses que operam sobre a região, certos setores preferem transformar qualquer acontecimento em confirmação da própria superioridade ética. É o reflexo que converte divergências táticas em ofensa moral e que se alimenta do desgaste como........
