A urdidura da Nação e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães
A história de uma nação pode ser vista como a confecção de uma tapeçaria. Os fios longitudinais, a urdidura, formam a estrutura invisível e permanente que dá suporte, limites e direção para os fios horizontais. Estes compõem a face externa e visível, a trama. Para o Brasil, um desses fios-mestres é a busca pela autonomia estratégica nas relações externas, o direito de decidirmos o nosso próprio destino sem a tutela de potências estrangeiras. A autonomia estratégica é um princípio que nos orienta desde as decisivas palavras de Dom Pedro I no Dia do Fico.
Esse fio condutor da nossa política externa dialoga com o ideal representado por Bolívar e consagrado no Congresso do Panamá de 1826 - para o qual o Imperador Dom Pedro I foi convidado e aceitou o convite -, o de criar um ambiente de paz e defesa mútua entre os países latino-americanos com base na solução pacífica de conflitos e numa unidade soberana frente às potências externas.
A conexão histórica com esse ideal foi reafirmada em 1956 por Juscelino Kubitschek, primeiro presidente brasileiro a visitar o Panamá, em discurso no salão do Palácio onde o Congresso de 1826 foi realizado. Também o presidente Ernesto Geisel, prestou homenagem a Bolivar, em 1976 – sesquicentenário do conclave -, em discurso em que anunciou a devolução ao Panamá das atas originais do Congresso, que o Brasil guardava desde 1941.
Nos tempos recentes, três grandes fios teceram essa continuidade entre o passado e o presente na urdidura do destino nacional: a política externa independente de Jânio Quadros e João Goulart, conduzida por chanceleres como Afonso Arinos, San Tiago Dantas e Araújo Castro; o pragmatismo responsável e ecumênico de Geisel e seu chanceler Saraiva Guerreiro; e a política externa altiva e ativa dos governos Lula, sob a chefia do chanceler Celso Amorim e com protagonismo decisivo de Samuel Pinheiro Guimarães como Secretário-Geral.
Um personagem que simboliza a linha de continuidade entre esses três momentos da política externa do Brasil em relação aos Estados Unidos e aos........
