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As forças do atraso não improvisam

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16.05.2026

“O trabalhador vai ter que escolher: menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego” – capitão Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, em discurso na Câmara dos Deputados

É notável, tanto quanto desprezível, o esforço do pensamento conservador brasileiro militando contra a economia nacional e, principalmente, contra qualquer sorte de progresso social. Tudo o que, mesmo remotamente, possa sugerir melhoria das condições de vida das grandes massas é bloqueado por essa corrente retrógada. Ora se diz que a iniciativa é muito cara (por exemplo, a escola pública e o ensino em tempo integral, ou o saneamento básico), ora se diz que é inflacionária — falácia de que foram acusadas, na sua origem, a introdução das férias anuais, lá atrás, e o 13º salário, em 1962, por iniciativa congressual, em lei sancionada pelo presidente João Goulart. 

Os dados brandidos contra essas conquistas sociais revelaram-se meras aleivosias desmentidas pela história. No entanto, seguem sendo arguidas por economistas formados pela tradição deixada por Eugênio Gudin na FGV, ou pela cartilha do monetarismo da Escola de Chicago, envelhecida pelo curso das transformações — agudas e profundas, em alguns aspectos talvez revolucionárias — que vêm moldando o mundo contemporâneo.

Fenômeno óbvio, do qual, todavia, não se dá conta a direita brasileira.

Nessa linha de apego ao atraso, ao não desenvolvimento, a direita brasileira — esta que, nos EUA, peleja contra nossos interesses, em contradição com suas matrizes históricas, como o fascismo, que tinha preocupações nacionalistas — combateu sempre o progresso, em quaisquer de suas dimensões. No plano político-econômico, bateu-se contra a autonomia brasileira na lavra do petróleo: fez de tudo para impedir o monopólio estatal e até hoje torce o nariz para a Petrobras. 

No plano social, combateu a instituição do salário-mínimo e seus reajustes, acusando-o de inflacionário, como, nestes dias, reage contra a revisão da obsoleta escala 6x1, cuja extinção só pode ser recebida como promessa de avanço, em face da mediocridade de nossas classes dominantes, que impõem o atraso social. 

A propósito, veículos como o Financial Times e The Economist, insuspeitos de esquerdismo, consideram limitado e atrasado nosso debate sobre o fim da escala 6x1: hoje, a Europa — que não rasga dinheiro — já discute a adoção da escala 4x3.

Epígono do pensamento conservador sempre mobilizado contra o interesse nacional, Eugênio Gudin destacou-se na cátedra e no jornalismo. É patrono do IBRE-FGV e ditou, por décadas, os marcos político-teóricos da instituição. Foi ministro da Fazenda de Café Filho (governo resultante da crise de 1954) e prócer entusiasmado da ditadura militar instalada em 1º de abril de 1964. Por anos manteve uma coluna em O Globo (como poderia ter sido no Estadão; hoje, talvez na Folha de S.Paulo). 

Nela, escrevendo em 18 de julho de 1973 (“Nosso problema de suprimento e de custo de........

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