Medo de mulher

Mesmo sendo amplamente reconhecida como subnotificada, a violência contra mulheres — incluindo o feminicídio — segue em crescimento. O dado, por si só, já seria alarmante. Torna-se ainda mais perturbador quando lembramos que vivemos numa época de visibilidade quase total. Câmeras públicas, celulares em mãos anônimas, registros domésticos e redes sociais transformaram o espaço privado em algo cada vez mais exposto. Ainda assim, note-se que a violência não recua.

Há um paradoxo que insiste em se repetir: quanto mais a sociedade vê, mais se revela aquilo que antes permanecia silenciado. A violência contra a mulher sempre existiu, mas durante séculos foi tratada como assunto doméstico, íntimo, invisível. Hoje, ela emerge com força, não apenas porque ocorre mais, mas porque aparece mais. O que se torna impossível ignorar é que a visibilidade, sozinha, não basta para conter o ato violento.

Uma leitura exclusivamente policial ou jurídica é insuficiente para compreender o fenômeno. É preciso olhar também para o que se passa no campo simbólico,........

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