O adversário não pode escalar nosso time

Um tema do momento é a dificuldade de traduzir os resultados econômicos do governo Lula em intenções de voto para outubro. A recente crise da candidatura do principal opositor, Flávio Bolsonaro, tranquilizou os apoiadores de Lula, mas a eleição está longe de ganha, como sabemos, e o problema persiste.

O governo Lula 3 produziu, de fato, resultados razoáveis, até bons, na área econômica – crescimento do PIB (ainda que modesto, próximo de 3% a.a. em média), desemprego aberto em queda (para os menores níveis registrados), inflação controlada (embora com preços elevados de produtos críticos como alimentos), entre outros feitos. É nítida a melhora em relação à situação que vigorava nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Como explicar que a eleição se mostre apertada, com grande parte das intenções de voto direcionada a Flávio Bolsonaro?

But it’s not the economy, stupid! (mas não é a economia, estúpido!), poderíamos dizer, invertendo o célebre chavão oriundo dos Estados Unidos. Fatores não econômicos pesam. E mesmo a economia não está lá essas coisas – vide os juros escorchantes, o elevado endividamento das famílias, as políticas governamentais inibidas pelo arcabouço fiscal, o reduzido investimento público e privado etc. E não vamos perder de vista que a base de comparação Temer/Bolsonaro é bem modesta, para dizer o mínimo.Mas, para além da economia, falta algo fundamental que talvez ajude a entender as intenções de voto – o governo não tem marca, não tem audácia, não tem alma.

Desde o seu início, em 2023, o governo federal e a sua precária base parlamentar estão infestados de pessoas que pouco ou nada têm a ver com a transformação real do país. Temos de tudo: neoliberais, carreiristas, fisiológicos, até sionistas. E, meio perdidos nesse ambiente hostil, uma minoria de brasileiros que lutam dentro do........

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