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País exige uma resposta pelo massacre de Paraisópolis

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12.12.2019

Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia - Em setembro, o governo João Dória consumiu uma verba de 12,7 milhões de reais (Folha de S. Paulo, 12/12/20190) numa campanha publicitária em que enaltecia a violência da PM paulista, com imagens soturnas e trilha sonora com rajadas de metralhadora.

Quatro meses depois, Dória enfrenta a primeira crise real de mandato de 11 meses e duas semanas. O massacre de 9 jovens mortos em Paraisópolis, agredidos covardemente pela PM quando se divertiam num baile funk, atinge os fundamentos do governo do maior Estado brasileiro e seus desdobramentos terão impacto decisivo para a preservação da democracia no país inteiro.

Com todos os cuidados que as diferenças entre tempos históricos e mesmo sobre os personagens envolvidos exigem, Dória encontra-se em situação semelhante a de Ernesto Geisel, em 1975 e 1976, quando o DOI CODI paulista torturou e assassinou o jornalista Vladimir Herzog e depois o metalúrgico Manoel Fiel Filho, em dois crimes que indignaram o país.

Ciente de que sua autoridade presidencial fora desafiada por crimes que indignaram o país, Geisel enfrentou pressões dentro e fora dos quartéis para determinar o afastamento do general Ednardo D'Ávilla Mello, comandante militar da região e padrinho conhecido dos meganhas que atuavam no porão da tortura e da violência contra cidadãos indefesos. Não agiu por convicções democráticas -- comprovadamente nulas -- mas por instinto de sobrevivência política e preservação da autoridade do cargo. Caso optasse por fingir que não enxergava o que se passava nos porões do regime -- a célebre cegueira deliberada de que falam determinados juristas -- seria transformado num fantoche nas mãos de pais e avôs ideológicos de Jair Bolsonaro, que já conspiravam para........

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