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Alianças e trapaças que fizeram história

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02.01.2020

Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia - Embora costume ser apresentada no tom de voz empostado de quem pretende revelar maturidade política e espírito responsável para encarar o futuro brasileiro, a empolgação de tantas personalidades respeitáveis com a ideia de "frente ampla", "conciliação" e outras poções mágicas de nosso laboratório político revela um conhecido problema do país -- a falta de memória.

As alianças que marcaram os 14 anos do PT no Planalto raras vezes deram certo -- e a postura desleal de aliados, muitas vezes definida como traição, ajuda a explicar a catástrofe que o país enfrenta hoje.

O vice José de Alencar foi um grande aliado de Lula e uma exceção. Nunca escondeu discordâncias com determinados pontos do PT e tinha restrições à reforma agrária.

Mas, um dos maiores empresários do país, mantinha uma postura desenvolvimentista que era útil a Lula e necessária ao país - até para denunciar a força dominante dos interesses financeiros sobre a política econômica.

A história ensina que há dois tipos de aliança. A menos difícil de colocar de pé reside naqueles acordos com base em pontos de conjuntura - como o Lula Livre e, em 1984, a campanha das diretas, uma das maiores da nossa história.

Unidos pela disposição de formar um governo sem submeter-se ao crivo do voto popular, razão que nos anos anteriores levara milhões às ruas, PMDB e PFL se aliaram para formar um governo de coalizão que, após quatro anos de mútua sabotagem, entregou o país ao Salvador da Pátria número 1, Fernando Collor.

Alianças que envolvem a formação de governos e projetos políticos duradouros costumam ser mais complicadas e desafiantes do que simples acordos em cima de pontos definidos.

As várias crises que marcaram os governos do PT no Planalto não podem ser........

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