menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

PIB de 2,3% foi um projeto

28 0
10.03.2026

O Presidente Lula iniciou o último ano deste seu terceiro mandato com grandes dificuldades na seara política e no campo eleitoral. Praticamente todas as pesquisas de opinião divulgadas em 2026 apontam para uma continuidade de altos índices de desaprovação de seu governo e para o crescimento das intenções de voto no candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro. Estamos a menos de sete meses do primeiro turno das eleições gerais e presidenciais, envolvidos em um quadro de adversidades para superar a complexa realidade apresentada pelas pesquisas e pelas vozes das ruas.

Este não era, obviamente, o desenho imaginado por Lula quando se candidatou em 2022 e venceu as eleições. Tendo sido um importante ator, direto e indireto, da cena política nacional desde 2003, ele imaginava que valeria a pena apostar em uma política de estabilização econômica ao longo da primeira metade desta terceira passagem pelo Palácio do Planalto, com a segurança de que tudo isso seria revertido no final para garantir sua própria reeleição ou a de um nome por ele indicado no momento oportuno para sucedê-lo.

Afinal, esta havia sido a sua experiência ao longo dos dois primeiros mandatos. A receita adotada à época previa um período de ajuste logo em seguida à posse, com a intenção de arrumar as coisas no âmbito das finanças públicas e de adotar eventuais medidas para melhorar a organização do ambiente da macroeconomia. Mas a experiência e a perspicácia política de Lula sempre lhe ensinaram que o último ano de um mandato de qualquer Chefe do Poder Executivo deve ser marcado por programas de governo de forte apelo popular, visibilidade de obras, inaugurações e anúncios de medidas que facilitassem um bom desempenho eleitoral.

Austeridade fiscal e o risco eleitoral

Em agosto de 2006, por exemplo, apesar de todas as dificuldades criadas pelo então chamado “escândalo do mensalão”, Lula conseguiu manter um percentual de 45% de ótimo e bom nas pesquisas de opinião. Esse patamar foi suficiente para ele vencer as eleições nos dois turnos meses depois, superando o adversário Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2010, ao longo do primeiro semestre, a popularidade de Lula sempre esteve situada acima dos 70%. Assim, esse potencial se transformou em votos e ele foi decisivo para a eleição de Dilma Rousseff em sua disputa contra José Serra (PSDB). No final do ano, antes da posse de sua sucessora, a popularidade de Lula chegou a impressionantes 84%.

Assim, o que se imaginava era que o início desta terceira gestão poderia até ser marcado por algum grau de conservadorismo na política econômica, mas que o “animal político” do Presidente ocuparia a cena em algum momento para recompor a iniciativa de ação de seu governo, superando os entraves colocados pela lógica do austericídio. Alguns órgãos de comunicação chegaram a expressar de forma aberta tal sentimento do Presidente. Esse foi o caso de matéria veiculada pelo Relatório Reservado em outubro de 2024. Afinal, Lula sabia que a vitória em 2026 dependeria, dentre tantos outros fatores, de um bom desempenho de seu governo em termos da economia.

(...) “Um PIB de 5% em 2026, seu último ano de governo, é a encomenda de Lula ao seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, segundo fonte da Secretaria de Política Econômica” (...) [GN]

O........

© Brasil 247