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Lula, as dívidas e os jogos

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31.03.2026

As tendências apresentadas pela maioria das pesquisas de opinião divulgadas nas últimas semanas apontam para uma aproximação das intenções de voto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro dos levantamentos, o fato é que, se a eleição fosse hoje, haveria um empate técnico entre ambos. A polarização está na ordem do dia e na boca dos eleitores, sugerindo que o Brasil atravessará um período de campanha bastante acirrada, com algumas tintas que remetem ao pleito de quatro anos atrás.

O Presidente insiste em não reconhecer as indicações das pesquisas que também apuram a aprovação ou a desaprovação de seu governo. Mas também neste quesito os números são inquietantes. Apesar dos indicadores positivos relativos a desemprego, a emprego e a PIB, por exemplo, o fato é que a população não parece estar nada satisfeita com a sua situação. Boa parte dos empregos gerados são precários e informais, com remuneração bastante frágil e jornadas de trabalho extenuantes. O crescimento do PIB é pouco expressivo em quesitos como o consumo das famílias, retratando uma priorização dos recursos destinados ao agronegócio. A inflação de alimentos, energia e transporte crescem acima da média e comprometem ainda mais a qualidade de vida da grande maioria dos setores que compõem a base de nossa pirâmide da desigualdade social e econômica.

Esse quadro de incerteza termina por acirrar os ânimos daqueles que estão mais diretamente envolvidos na disputa de outubro próximo. E pode inclusive levar a estratégias equivocadas, em termos políticos e eleitorais. Lula tem evitado promover mudanças na orientação da política econômica de seu terceiro mandato. Tal opção está cobrando a fatura pela austeridade fiscal implícita no Arcabouço Fiscal, pela política monetária de SELIC nas estratosferas, pela cara de paisagem do Banco Central (BC) quanto às tarifas e spreads cobrados pela banca, pela falta de recursos para levar à frente políticas públicas voltadas à maioria da população.

A crise atual e as explicações equivocadas.

A combinação perversa de tais opções equivocadas de políticas públicas se concretiza em fenômenos que se revelam muito desgastantes para quem está à frente do Poder Executivo. Esse parece ser o caso de eventos como a fila recorde de tempo de espera para se conseguir atendimento no INSS ou os níveis dramáticos de inadimplência e de endividamento que afetam a grande maioria da população. Ao evitar o........

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